
Um dia pensei que o meu mundo desabava comigo a assistir na bancada principal da vida.
Vi tudo o que tinha contruido em alguns anos a cair por terra.
Estava sózinha e continuava a amar, mas agora não havia nada a fazer.
Conheci-te uns meses depois, ainda desprovida de qualquer sentimento que me pudesse sequer fazer olhar em frente. Tinha mil e um "porquês" na cabeça, tinha culpas que não conseguia evitar, tinha menos amigos e uma auto-estima nula, que ficou para trás como tantas outras coisas.
Olhava em volta e só via uma pessoa, só via uma vida, e erros atrás de erros que me impossibilitavam de achar que sequer deveria continuar, não sem ele, não sem quem eu queria e ainda amava, por sinal.
Foste o meu melhor amigo nessa época, não forçaste saber motivos, não fizeste perguntas, querias apenas estar ao meu lado , tivesse eu feito ou não o pior , tivesse eu não cometido o maior erro da vida. Não me querias julgar, querias apenas estar ali, ao meu lado.
Desde cedo te disse que para deixar de amar alguém como eu amava, era necessário uma metamorfose, uma mudança que não estava e não queria ter. Teimava ficar agarrada ao passado, ás fotografias, aos postais e cartas, aos locais, ás pessoas.
Chorámos juntos quanto finalmente te contei os motivos, foi uma longa noite em que ficaste a saber o que somos capazes de fazer quando queremos ao pé de nós quem tenta fugir-nos entre os dedos, ficaste a saber que estava doente, obececada por um amor doentio que teimava em assombrar-me a vida. Ficaste a saber que não queria a ajuda da Psicóloga, da Psiquiatra, que lhes dava a volta para elas pensarem que eu estava bem, mas não concordaste com o facto de eu querer viver daquela forma, mas eu estava decidida. Se errei, tenho de sofrer por isso! E sofri, chorei, desesperei, gritei e disse mal daquilo que fui. Escrevi detalhadamente cada ano da minha vida desde 1997, dos altos, dos baixos, do que foi bom, do que foi mau, e do que aconteceu.
Aos poucos a dôr foi dando lugar a outro sentimento, ao sentimento de vazio, de nada, de coisa nenhuma. Sentia-me a pairar no ár, sentia saudades das pessoas que gostava, do locais que frequentava, estava apática, não reagia, já não tinha lágrimas e já não valia a pena chorar.
Fiz sofrer mas também sofri antes, durante e depois.
Não queria acreditar que quem ama magoa, mas eu amava, tinha amado... TANTO!
A tua ajuda foi a melhor de todas, os meus pais faziam o que podiam sempre do meu lado, entendendo-me desde sempre. Mas tu... tu foste tudo!
Abriste-me o coração, gelado, preso, e voltaste comigo aos locais, falaste comigo das pessoas, e mostraste-me que todos nós erramos, e que afinal eu não era má, tinha lutado apenas com tudo o que é e não é permitido, por o amor de alguém. Não estava sóbria, não estava bem. Mas quem nunca errou...
Passamos por tanta coisa junta, e esperaste por mim, entendeste que o meu "não" era apenas porque agora, queria fazer tudo bem, queria estar contigo e SÓ contigo, sem mais ninguém para pensar, sem mais ninguém para sentir saudades.
Hoje faz um ano que decidimos morar juntos, após 4 anos de reciclagem, de metamorfose da minha pessoa.
Quero agradecer-te por tudo o que foste, por tudo o que és, pela forma como me entendeste e abraçaste sem nunca me julgar.
Mas sobretudo por me teres feito acreditar novamente que é possível voltar a amar, amar de uma forma saudável, adulta, matura,mesmo quando pensava ter perdido o amor da minha vida.
És tu amor,
tu é que és o amor da minha vida.
Amo-te mais que ontem, menos que amanhã!
4 comentários:
É assim que vemos o quanto a vida muda. Vai girando, e ainda ontem estavamos mal e hoje já é outro dia.
Depois dos erros, vem a angustia do não conseguir, do não haver forças para lutar, para ultrapassar.
E no fim já nos parece tudo tão simples, tão infuficiente.
No fim correu bem. O mal ajudou a encontrar a paz.
gosto tanto de ti <3
Vi a minha vida ao ler-te...(mais uma vez)
Desde 1997, ano em que tive um esgotamento e depressão muito forte, a minha vida nunca mais foi fácil.
Hoje vivo um desgosto de amor, não acho nem me imagino a amar outra pessoa. E nao, ainda não encontrei ninguem que pudesse "substituir" esse amor, e vivo agarrada ao passadoe choro em silêncio a ausência de quem perdi, por ter errado tanto.
Ao ler-te vi que era possivel voltar a amar, mesmo que não seja eu, mas que pelo menos a certas pessoas a vida endireita e as pessoas conseguem encontrar a felicidade e alguém que fique ao lado delas.
Ainda bem que hoje estás feliz e que tens alguém que te ame, mas que tu tb amas.
Bjo enorme
A.
Um grande amor constroi-se de sentimentos e poucas palavras.
É este!
Beijos
Ninguém consegue substituir o amor que perdeste. E é possível que muitas vezes questiones se o amor é ou não menor do que aquele que sentiste.
Descobri com o tempo que amei essa pessoa demasiado, tanto que se tornou obcessão, e obcessão não é amor sausável. Cria-nos dependências capazes de destruir a relação, de nos quase "obrigar" a fazer coisas terriveis, que mais tarde iremos lamentar, mas que na altura nos parece uma saída.
Deixamos de ter amor próprio , de ter uma vida, de lutar por nós, sujeitamo-nos a criticas, a situações que noutras alturas seriamos incapazes de aceitar.
Eu fiz muito mal, mas tb e acima de tudo fiz muito mal a mim mesmo.
Na altura queria ser feliz, com ele e só com ele.
Hoje sou feliz, com alguém que me ama e a quem não preciso de acenar paea saber que estou aqui.
PS: sempre te disse que eramos muito parecidas ;))
beijinhos linda
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