
Não estava com ideias de escrever tão cedo este episódio, até porque embora este espaço seja para recordar as minhas memórias mais marcantes e poder "deitar para fora" o que teimo em guardar,não me quero expor demais, nem quero estar sempre a referir o mesmo tema. Existem outras coisas que também guardo do passado, sobretudo memórias com a minha mãe, quando eu era mais pequenina e que me deixam sempre a lagriminha no canto do olho quando me recordo delas. Mas o comentário da minha queria Andrea lembrou-me que se posso recordar e ajudar quem já passou/passa por uma situação idêntica.
Pois bem, para mim foi muito complicado aceitar a separação, foi assim de um dia para o outro, não houveram discusões, nem palavras feias, foi apenas um até amanhã, sem que esse amanhã chegasse. Foram 5 anos que terminaram de um dia para o outro. Melhor ainda, já tinham terminado á muito, mas havia qualquer coisa entre eu/ele que nos prendia sem sabermos muito bem porquê. Tentamos muitas vezes sair da vida um do outro, deixarmo-nos de ver uns tempos mas... o máximo era uma semana. Ou eu ligava (a chatea-lo) ou ele me ligava a mim ( eu eu derretia-me).
O problema desta minha relação foi sem dúvida a obcessão, e quando a Andrea diz que não se acha capaz de amar mais ninguém, posso dizer-te, eu também pensei nisso durante muito, muito tempo. As músicas que ouvia, as coisas que fazia, eram sempre a pensar nele. Ligava-lhe e desligava porque só o queria ouvir, nem que fosse aquele "Tou" que ouvi anos seguidos. Ainda tentei falar por uma ou duas vezes com ele, mas sem resultado.
O desapego (falando agora em linguagem utilizada pela psicologia) é muito dificil, é como perder alguém que morre. Um dia acordas e quem te preencheu ou fez parte da tua vida, deixa por e simplesmente de existir, de fazer parte e ti. É dificil ainda por cima quando sentes que a culpa disso acontecer, é tua.
Um dia deixei de me culpar, embora ainda hoje pense que muito ficou por fazer e por dizer e cheguei a afirmar que só seria feliz no dia em que ele me perdoasse.
Deixei de pensar nessa opção, mas claro,fica sempre uma pedra no nosso sapato, um buraco no coração que ninguém conseguiu ainda minimizar. Não tem nada a ver com o amar mais ou menos a pessoa que possas encontrar e ser feliz, e isto porque não se encontram substitutos no amor, quando amas, amas para sempre! Aliás quem sofre com uma perda de amor, é porque prefere lembrar os momentos bons do que os maus, e eu fiz isso, e não me arrependo. É por isso que me lembro a promenor de quase tudo o que passei com ele, que se fechar os olhos ainda consigo ouvir a voz dele, as gargalhadas, a euforia da condução, enfim um conjunto de coisas que me vou lembrar sempre que me apetecer, mas o mais importante é que seja cada vez menos necessário lembrar, hoje não sinto necessidade disso. Temos de nos preencher com outras coisas, não podemos viver no passado, temos de olhar para a frente, arranjar actividades que nos distraiam e sobretudo acreditar que se erramos ainda temos muita vida pela frente para fazer tudo diferente. E sim, há sempre alguém que nos vai amar sem julgar o nosso erro, há sempre alguém que vamos amar e vamos ser felizes. Mesmo que daqui a muitos muitos anos ainda nos lembrarmos, daquele que deixou marcas profundas em nós.
O amor é sempre possível desde que estejamos disponiveis para amar, quando ainda amamos quem perdemos não há nada a fazer, o melhor mesmo é aceitar que já não há volta, que o "nós" já não existe. Eu preferi esperar até deixar de amar e demorou muito!! Mas consegui! :)
Acho que descobri isso no dia em que inevitávelmente me cruzei com ele e com ela ;)
num sitio onde era eu que frequentava habitualmente, com ele (que confusão), devo dizer que não me senti nem melhor nem pior, nessa altura já sabia quem é que tinha ocupado o meu lugar ( forma de expressão já que eu não tinha lugar nenhum ), por isso não foi novidade. Acho que ele está bem entregue, eu por ironia do destino conheci-a no mesmo dia que ele a conheceu, na casa de uma amiga comum aos 3 e gostei dela.
Nunca senti nenhum desagrado por estarem juntos, nunca me questionei "porquê ela?" afinal de contas eu amei-o e apesar do que fiz, nunca deixei de querer o bem dele e ainda hoje desejo que ele seja muito feliz e sei que vai ser.
Por isso amiga
antes de conseguires voltar a amar alguém tens de fazer o funeral dos teus sentimentos, tens de enterrar as mágoas , e guardar as lembranças até ao dia em que as recordares com um sorriso e não com lágrimas e saudades.
O amor controi-se, pode não ser nunca mais como aquele que já sentiste, porque existem pessoas que nos marcam para sempre, mas pode ser mais seguro, mas maturo, e fazer-te igualmente feliz.
Não sei que erro cometeste, mas fosse ele qual fosse tu nunca deixarás de ter valor e capacidade de amar. Tenta sim esperar, dar tempo ao tempo, o que achares necessário e chorar, chorar muito! Um dia vai haver alguém que te vai despertar novamente e esse coraçãozinho adromecido e amargurado, vai voltar a sentir de novo o amor.
Aceita a realidade de cabeça erguida!
Um beijo grande e um xi- apertadinho.
3 comentários:
O que não nos mata, fortalece-nos e faz-nos crescer. Um grande amor nunca se esquece! Mas a vida encarrega-se de nos entregar um amor maior.
Li-te....fiquei com lágrimas nos olhos.
Não consigo dizer-te muito mais...
Deixo-te um muito obrigado, Amiga!
Beijo!
A.
Miragem, tiráste-me as palavras da boca. Eu também já tive um amor assim e agora tenho um muito maior e melhor.
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