17 janeiro 2011

Por mim

Mudar é uma palavra abrangente. Podemos mudar de muitas formas, mudar de casa, escola, cidade, continente, enfim. Contudo podemos mudar , mas não mudar. Podemos ficar na mesma, sem que em nós tenham ocorrido mudanças.
Senti-me assim entre 2007 e 2010. Era como que um estado larvar em que queremos ganhar asas mas, sentimos que ainda não chegou a hora, de sair do casulo.

Começamos por sentir uma enorme tristeza , depois queremos seguir em frente mas as amarras continuam a prender-nos a algo. Somos como que engolidos pela nossa passividade e inércia. Não vivemos. Somos meros espectadores da vida , que passa por nós.
Um dia damos conta que afinal , já não dói tanto; afinal as asas estão prontas para voarmos, e abandonarmos, sem olhar para trás , o casulo, o estado larvar ao qual nos resignamos.

Aos poucos a vida vai fazendo sentido e as questões postas a nós mesmo, começam uma a uma a surgir sem que nada tenhamos feito para isso acontecesse, apenas nos deixamos de limitar, deixando que a vida nos abrisse os horizontes e com fé , confiamos vivê-la.

Surgem então novo caminhos, abrem-se portas, abraçam-se projectos, caminha-se a vida deixando para trás o peso dos dias iguais, dos dias sem cor, sem luz.
A vida é uma aventura , uma dádiva mas também uma árdua tarefa. Hoje tudo o que me prendeu e me amarrou ao estado larvar, me parece superficial e sem sentido. Foi importante saber o quão forte sou , o quanto as pessoas são meros desconhecidos , apesar de partilharem connosco sentimentos, vidas , filhos. Foi importante saber como tão facilmente quem hoje está perto, poderá amanhã estar longe, mas mais que tudo isso, foi descobrir por mim, quem de facto sou.


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