06 dezembro 2007

O verde de voltar


O dia amanhecia sem côr. O nevoeiro, tipico da zona, cobria todo o verde envolvente. Era o dia de ir embora. Nos dois rostos existia um misto de esperança e tristesa - tem de ser -
E tinha mesmo.

Tomar aquele barco seria a coisa mais complicada que ela faria, tinha de ir, mas naquele local , ficava para sempre a sua vontade de regressar. Ele era o maior motivo desse, possível regresso.
As mãos entrelassadas falavam e diziam aquilo que o coração sentia mas que é sempre tão difícil exprimir por palavras. É complicado expressarmos o amor , é complicado verbalizar os sentimentos das profundidades do nosso ser. Mas o corpo, o corpo até dos poros transborda os sentimentos e leva-os deixando que o outro os entenda e os sinta , muitas vezes até pelo cheiro.
Aquele amor, aquele amor tantas vezes encoberto pelo sabor do proíbido, estava ali , fechado, cravado em ambos os corações. Doía tanto deixá-lo, doía demais, mesmo sabendo que haveria regresso, mesmo sabendo que aquilo que ambos sentiam fosse difícil de alguém ou alguma coisa derrubar.
Foi um embarque doloroso, nenhum gostava de despedidas, mas as lágrimas teimavam em sair.

-não quero ir
-mas tem de ser, vais agora mas não tarda estás aqui de novo.

Tinha de ser.
Quantas vezes não somos confrontados com os desconfortos da vida, que nos põe à prova para ver até onde aguentamos. Ela ia aguentar, tinha de ter a mesma força e determinação que ele lhe transmitia.

Embarcou.
No fim do dia, a linha do horizonte ficava amarelada com o pôr-do-sol. Ela não conseguia largar o seu olhar daquele infinito. Era como se o espelho da sua alma ficasse preso a um passado tão recente e a um futuro ainda por gerar. Dos seus olhos saltavam lágrimas salgadas que se confundiam com o mar. E aos poucos o verde, coberto pela nebelina foi desaparecendo.

-Um dia, mais cedo do que penso, voltarei!

Somos nós que pintamos a nossa vida, basta escolhermos a côr.
Vou voltar , pintar a paisagem de verde;
o verde da esperança que tenho em ser feliz.

4 comentários:

Patrícia disse...

Se voltares, foi ficar muito contente... feliz!
Bjs

Filipa disse...

Devias escrever um romance!
Nem imagino como te deve estar a custar... a vida não tem sido fácil para vocês...
Força!

Divinius disse...

Pinta sempre e bem...*

Divinius disse...

DÓCIL COMO FINA ÁGUA
AO TOQUE DOS MEUS LÁBIOS
BEBER-TE...
É O MEU DESEJO...
AMAR-TE O MEU SONHO...
DESEJO SONHAR-TE...
AO AMAR-TE...

Bonito blogue:)