15 novembro 2006

Primavera em mim


E acordamos assim, com frio, sem vontade de tirar o pé da cama. Os lençóis polares dados pela minha mãe sussurravam-nos insistentemente para ficar.
Primeiro um pé, depois o outro, e a enevitável levitação embriagada, lembrava-nos que a semana começava.
Fui á cozinha, os olhos ainda custavam a aceitar a luz, azulada e glaciar; o resto da noite e do frio que diziam agora adeus, para mais um dia, (uma semana, pensei eu).
Rápidamente verifiquei que de neve, nem sinal, afinal não durou o tempo suficiente para nos esquecermos da inconstância dos nossos sonhos, dos erros da vida ou dos desgostos provocados por terceiros, tudo contínua na mesma! Afinal ontem, ontem foi excepção. Num dia que provávelmente passariamos enroscados numa manta, deitados no sofá, tal e qual a melancolia, não! saímos, brincámos com a neve, e girámos como crianças de braços abertos, palmas da mão e cabeça voltadas para o céu, abrindo a boca e sorrindo ao frio.
Estava a Nevar.

Mas hoje,
hoje acordei e pensei que talvês tivesse sido um sonho, daqueles que parecem tão reais,daqueles que nos custa a acordar, daqueles em que dariamos tudo para durar mais um pouquinho. Hoje o dia acorda gelado, mesmo que os ânimos sejam quentes pela surpresa da neve não esperada, hoje regelam-me as mãos contrastadas com o coração quente de quem ama, de quem vive um dia como se fosse o último, hoje o dia acorda, como um dia qualquer,igual a uma outra semana, que por ser Inverno, nos corta a punho os ossos também, eles gelados e firmes.

A neve, algo tão Natual, fez-me acreditar que de facto tudo é possível, que o inesperado acontece mesmo! Acontece quando menos estamos á espera, mas acontece!
E tal como na primavera nasce o "verde", mesmo entre o solo gelado, também em nós pode acontecer, também em nós pode nascer a esperança, de que mesmo estando frios no sentimento, mesmo sem esperança, algo aconteça, algo natural, a vida.

Por isso, esfreguei os olhos, e sorri para o dia lá fora. Basta apenas um dia para que tudo o que era constante, mude. Afinal tudo é possível, afinal também me posso tornar criança e rir só porque neva, afinal tudo acontece e, mesmo no frio gelado deste Inverno, me posso sentir quente, aconchegada e com esperança que um dia a primavera também aconteça, dentro de mim.

escrito a 30/01/2006 , e a vida muda mesmo tanto sem darmos conta

Sem comentários: