24 setembro 2006

Naquela Praia

 

Agora que o verão acaba, consigo olhar o mar e lembrar os dias de calor, a areia dourada que nos cobria o corpo e o mar salgado que nos beijava mesmo sem sentirmos.
Naquela praia, fomos um apenas, eu e tu, falando, rindo e sentido que podiamos ser mais.

O nosso limite não era traçado, contigo, os dias não tinham começo ou fim, eram uma continua caminhada á felicidade, se havia fogo, paixão, e até mesmo amor, eu sabia que era assim que teria de começar.
Ias ter comigo, eu já deitada deixando o sol cobrir-me o rosto, e o corpo que teimava em não bronzear, via-te pelos óculos de sol, olhava-te pelo rasgão dos mesmos , onde a lente termina, via-te no cimo do muro, e aquela imagem, esperava-a desde o minuto em que chegava.
Naqueles momentos tudo á volta parava, eras só tu, só tu e eu, naquele verão tão nosso que quase o engoliamos para que não fosse de mais ninguém, para sermos só nós a disfrutar do som das ondas, do cheiro da marezia, e do sabor salgado que como os nossos beijos, se fundiam em silêncio em nós.

O teu abraço naquele instante, a água em que mergulhavamos e nos recebia tudo fazia parte de um sonho, um sonho que um dia tive mas que nunca teria realizado. Ainda hoje me pergunto, porque é que sempre que um verão passa, só me lembro do nosso, ali naquela praia da Linha. Podia ser qualquer outra, o sitio não importava, eras tu, era eu, e aquilo que sempre senti, desque aquele dia em que os meus olhos souberam que queria os teus para sempre.
O vento, a chuva de hoje, fazem-me lembrar as partilhas sentados no muro, o teu gelado, e o meu, um de sabor a morango e o outro mais guloso a saber a chocolate que nos acompanhavam nas conversas, nos abraços e na troca de sabores sem pedir licença.
Tenho saudades tuas, e todas as vezes em que a noite te trás em sonhos, eu recordo que foram tempos como não mais existiram, não eramos inocentes, não eramos crianças, mas queriamos descobrir-nos tal como o descobridor ao entrar numa floresta.

Não sei que sentimento era o nosso, aquele que depois se tranformou em amor, uma amor irreal quase doente em que me envolvi, sei que até lá fui tão feliz, sonhei tanto e deixei-me levar nos teus braços, voar contigo por outros caminhos, por um mundo só nosso sempre rodeado de areia, água, sol e mar.
Os nossos encontros tinha sempre sabor de verão, e o mar que se via da janela daquele quarto que tabém era o nosso mundo, passou a acolher-nos mais tarde, pela noite.
Aquelas noites em que sózinhos voavamos ainda mais alto, num voo profundo chamado amor.

Naquela praia ficou gravado o nosso nome,
naquele muro, na areia, no mar
para sempre. Posted by Picasa

Sem comentários: