13 agosto 2006

A ausência de ti


O dia tinha chegado ao fim... mais um desde a nossa decisão repentina em que nada do que dissemos foi dito ao acaso, mas não da forma mais fácil e esperada.
Deixaste-me em casa como custumavas, partias no dia seguinte para uma viagem de alguns dias de onde, como sempre, temia que não regressasses. Por vezes no amor, somos tão infantis, tão imaturos, mas é assim mesmo o amor.

Quando chegaste a casa deste-me um toque... detestavas carregar o telemóvel, ainda não entendi, mas possivelmente porque o meu tinha sempre €. Liguei-te falaste-me em tom meigo, dócil, como sempre me fizeste.
Disse-te aquilo que todos os apaixonados dizem , que já tinha saudades, e ainda á minutos te tinha deixado ir naquele carro que me deixou à porta.
Pediste-me para acreditar em ti, para confiar, para acreditar que quando regressasses tudo ia ser diferente, que ias conseguir o que sempre desejamos ter, que ias num pé e vinhas noutro.
As lágrimas cairam do meu lado, disseste-me ao ouvir-me, que não aguentavas a distância, que em 15 minutos estarias ali comigo, que não podia estar assim, não devia enervar-me.

Foram 20 minutos os suficientes para ter ter ali, na nossa cama, ao meu lado, do teu lado, do esquerdo ao lado da janela.
Abraçamo-nos e eu chorei outra vez, como que prevendo que de facto não ias mesmo voltar... estavamos cansados, o dia tinha sido longo, mas o desejo de nos sentirmos era maior.
Não foi preciso dizer nada, os nossos olhos já se conheciam, e os nossos corpos chamavam-se entre si em silêncio. Depressa as roupas se espalharam pelo chão, depressa os vidros embaciaram e o silêncio foi feito de suspiros de amor.

Não dei pelo tempo passar... adormeci ao teu lado, atracada em porto seguro, onde as tuas mãos me ondulavam os cabelos como a maré baixa faz na areia.
A tempestade da noite anterior tinha-nos deixado exaustos para acordar tão cedo.
Tu ainda tinhas uma viagem para fazer , e eu queria tanto que não fosses...

Não consegui almoçar contigo, hoje, arrependo-me de não ter feito os impossíveis, afinal não te ia ver mais, aquela noite, aquela cama, aquele quarto, tudo iam ser recordações , não mais que isso.
Mas eu não sabia, nem tu sabias, deixaste-te levar, acreditaste sem me ouvir e partiste de mim, numa viagem sem regresso.
Ficaste em mim, cravaste a tua vida, a nossa vida bem fundo, os sonhos, as ilusões as esperanças e devaneios , os amuos, as alegrias , as lágrimas e as gargalhadas, deixaste tudo, tudo comigo. Não sei o que levaste de mim, quero acreditar que levaste muito, que te lembraste de mim , que sorriste quando recordavas as nossas brincadeiras, tão nossas que eram... eramos tão cumplices ... mas ninguém entendeu isso, só nós deixavamos entrar no nosso mundo quem merecia de facto ter esse previlégio.

E o amor...
O nosso amor, ficou, desta vez bem comigo, bem junto, materializado, não só nas emoções nas recordações, nas fotos, mas em mim, como vida...

na vida que há em mim.

até sempre, meu amor

1 comentário:

Miragem disse...

Houve alguém que perdeu... e, sinceramente, acho que não foste tu, que geras vida! Na vida, nem sempre o caminho de ida é o caminho da volta. Lembraste do 'há mar e mar, há ir e voltar', mas quantos afogaram o amor nas ondas do mar? O amor, depois de morto, não renasce...

Beijos duplos