08 julho 2006

Pássaro


"Acordo todas as manhãs com este zumbido e a certeza que não vais voltar.
Cansada de me convencer que apesar e acima do teu idevidualismo, estava a tal inevitabilidade a que nos submetemos e chamamos amor, pensei que, com todo o amor que sentia por ti, iria suavizar e de alguma forma fazer parte do teu equilibrio, tornando-me subtilmente indispensável. Helàs.
Nunca pensei enganar-me tanto.

Mas só agora percebo que o teu amor por mim não foi uma inevitabilidade, mas uma escolha.
Alguém que te chamou à atenção e que, um dia, decidiste que querias atravessar, com a intuição certeira de um animal selvagem que procura refúgio temporário quando está cansado.
Sei que não vinhas a fugir de nada, nem à procura de coisa nenhuma.
Mas acho que quando eras pequeno, te arrancaram uma parte de ti, e desde então ficaste incompleto e perdeste, quem sabe, a capacidade de adormecer nos braços de alguém sem que penses no perigo de ficar na armadilha do carinho para todo o sempre"


Margarida Rebelo Pinto in Alma de Pássaro

ps: uma vez disseste-me que acabaste de ler este livro e choraste, não conseguias estar longe... eu tb não consigo estar longe de quem amo, entendo bem as tuas lágrimas.

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